23.9.15

2 TAVARES + 1 AFIM: dia 01_29 de agosto.

Um dia de contratempos. Na hora e local certos.

Destino: Valladolid.

A partida para a viagem foi dada em Braga. Eram 09:00 quando nos encontrámos para o café. Confesso que estava um pouco nervoso. Talvez fosse por causa das distâncias a percorrer nos dias até chegar Barcelona (eram 400 km/dia), que implicavam mais desgaste, sobretudo para a Nuna - isto porque a pendura não se tira tanto partido...

18.9.15

2 TAVARES + 1 AFIM: o pré-viagem.



Em 2014, eu e a Nuna decidimos ir de moto para o Sul de Espanha, com uma passagem em Lisboa, para visitar o meu irmão e espreitar a exposição do Vhils, no Museu da Eletricidade.


Foi um bom escape ao nosso dia a dia, com praia, paisagens arrebatadoras, estradas fabulosas e tapas, muitas tapas. Para mim foi uma surpresa a Nuna decidir este modo de fazer férias, até porque tinham passado dois anos depois da nossa queda, que a levou a vender a moto dela.


Este ano decidiu-se fazer os mesmo moldes de viagem. Partiríamos de moto para visitar a Córsega. E teríamos mais companhia: o pai da Nuna. Isto foi em abril. Começámos o "desenho da viagem". Em meados de maio, decidimos outro destino. A Córsega, ainda sem todas as despesas, já ia em cerca de 1200€ por pessoa. Era demasiado.


Voltámos a pensar na viagem. Outro roteiro, sendo que tínhamos como certeza dar um salto até França. Decidimos ir a Carcassonne e ao Mont Saint-Michel, dois pontos de passagem separados por quase 2.000 km.


Como Carcassonne era no Sul, decidimos que iríamos a Barcelona, também. Porque adoramos a cidade e porque o pai da Nuna ainda não a conhecia.

E assim foi. Marcámos os hotéis, traçámos um percurso geral e chegámos à conclusão que não teríamos tempo de voltar na motos para Portugal. Contratámos a agility para nos trazer as motos de volta.


O tempo foi passando até à semana anterior ao arranque. Foi quando decidi que esta viagem teria de ter um autocolante. Eram duas motos, três pessoas e mais de 3.000 km para percorrer. E assim ficou o 2 TAVARES + 1 AFIM.

A justificação é simples. A família do lado paterno da Nuna tem todos os anos um almoço, o almoço dos Tavares, que junta também os afins (maridos, namorados, esposas e namoradas dos Tavares).


Estava tudo pronto. Dia 29 de agosto arrancávamos para a viagem.


16.9.15

2 TAVARES + 1 AFIM: o rescaldo.

Depois de 3200 km de viagem, fica aqui um pequeno resumo do que foi a viagem, enquanto não tenho tempo para escrever a sério sobre estes 15 dias na estrada.


14.8.15

A propósito de um desafio

Foi lançado no Club F800GS Portugal que escrevêssemos um texto sobre a nossa moto, as viagens que fazemos, etc. Este foi o meu
"A "Idalina" (F650GS twin) é a minha segunda moto "grande". Surgiu para preencher o lugar da "Josefa" (F650 monocilíndrica, de 97), a moto que desejei durante muitos anos até a conseguir comprar.


A Idalina mostrou ser uma companheira fiável, poupada (não é daquelas que bebe muito quando saímos) e confortável quanto baste. É daquelas que, quando vamos às compras, não gasta muito, tanto em sapatos como em roupa nova, o que é muito bom.
Leva-me sempre onde quero. Durante a semana de casa até ao trabalho e vice-versa. Ao fim de semana, costumamos sair para descobrir estradas nacionais em Portugal. É que ela gosta mesmo de passear neste país. Diz que é melhor que o frio da Alemanha (embora os automobilistas sejam piores). 
Não se acanha em nenhum tipo de estrada. Tanto vai pelas alcatroadas, com pavimento liso, como pelas outras, as que são em paralelos ou têm buracos. E eu vou com ela, claro.
Não somos muito de ir "até ao monte". Ela fica nervosa com caminhos pouco próprios, como é normal numa senhora. Por isso, preferimos mesmo as estradas, com boas paisagens, boa comida e boa companhia.
Todos os anos saímos para uma "volta grande", altura em que ela aproveita para conhecer mais sítios, ouvir sotaques diferentes do nosso. Ainda não fomos até "muito longe", mas ela defende que, de ano para ano, vemos cada vez mais coisas diferentes. Ah! E adora curvar (cá para nós, as curvas - as da estrada e as dela- ficam-lhe mesmo bem).
Tenciono ficar com ela muito tempo. Mesmo que ela comece a sofrer das primeiras artrites. Afinal de contas, é o mínimo que posso fazer por ela, que tantas alegrias me traz."

7.8.15

A próxima viagem está cada vez mais perto.

Chega agosto e muita gente começa a gozar as suas férias. Vão para a praia, para o campo ou conhecer uma nova cidade. Enquanto isso, vou ficando por aqui, a planear a próxima viagem. Sim, estou a planear uma saída "grande". Serão 15 dias (+-) de viagem: com saída de Portugal, atravessar Espanha até Barcelona. Depois Pirinéus, Carcassonne, Toulouse, Rennes, Mont-Saint-Michél e Nantes. Cerca de 3.600 km, feitos com pendura e mais uma moto.
Desta vez queria ir mais "à aventura". Levar talvez uma tenda e saco cama. Mas optámos por não fazer isso, já que o pai da minha pendura merece descansar. Percorri o booking e algumas cadeias de hotéis francesas, para arranjar quartos mais baratos (e com alguma qualidade).


Mas antes disso, vai haver uma volta interessante (não muito longa) para fotografar e escrever, organizada pelo Moto Clube do Porto.

29.6.15

Repicos: o regresso aos Picos da Europa. pt_6

14 de junho
Ponferrada - Porto
O dia que ninguém queria.
Fotos de Rui Oliveira

O último dia. Fico sempre stressado com o dia de regresso porque sei que vai acabar a diversão diária, porque vou voltar à rotina, porque queria continuar a descobrir sítios e gritar "WOW" a plenos pulmões dentro do capacete.

Apesar de ser o dia de regresso a casa, queríamos fazer uma última visita turística. Fomos às Médulas, que se revelaram um sítio que impressiona ao olhar. Terra vermelha, em altura e um verde a rodear o vermelho. Muito bonito. 
As Médulas, segundo li, eram uma exploração mineira do tempo dos romanos, que utilizavam a água para desbastar a montanha, e chegar ao ouro.

Como tínhamos pouco tempo, subimos ao miradouro, para apreciar as Médulas de cima e tirar umas fotos. A esta altura ainda estávamos convencidos que íamos almoçar uma posta em Ponte da Barca.

Uma panorâmica das Médulas.

O caminho das Médulas até Ourense foi corrido. Corrido porque pouco parámos, corrido porque a chuva "obrigáva-nos" a seguir sempre caminho, numa tentativa frustrada de fugir dela. Primeiro caiu forte, depois foi parando, mas esteve sempre connosco até à entrada de Ourense. Decidimos que íamos almoçar aqui, até porque já eram 14 horas. Comemos um bocadillo, atualizámos as fotos.

E o céu transforma-se. Escuro, a prometer chuva forte. Ainda faltavam uns quilómetros até chegar a Portugal (não sei porquê, mas achámos que passar a fronteira seria sinónimo de casa, de conforto e de sol). Foi mais ou menos a essa hora que olhámos a fundo para o pneu da moto do Rui… já tinha dado sinais de entrar nas lonas a caminho das Médulas. Mas em Ourense começámos a duvidar (mais eu) da possibilidade de ele conseguir chegar a Portugal.

O pneu da moto do Rui, a saída de Ponferrada.

Saímos de Ourense e seguimos a nacional, com umas curvas bem interessantes, que nos iam levar até Portugal. Chovia. Em alguns pontos chovia muito e estava frio. 

A 40 km da fronteira, mais um tyre alert. Aquilo estava a ficar mesmo mau. Ao ponto de a primeira lona já estar a dar de si. Lembro-me perfeitamente de ver o Rui a tirar bocados da lona. “Medo”, pensei eu.

Conseguimos chegar à fronteira de Portugal. Saltámos, celebrámos. O pneu estava em casa! E como o tempo tinha melhorado, estávamos mais animados. 
Dali foi seguir as curvinhas até Ponte da Barca. Eu a divertir-me, a deitar a moto nas curvas. O Rui nem tanto. Seguia atrás de mim, a segurar a moto, que fugia a cada curva. 

Portugal! Repare-se no pneu da Hornet.

Optámos por seguir a autoestrada até ao Porto, em vez da Nacional até Braga. Confesso que foi a altura da viagem em que rolei com mais tensão. Pensava o que aconteceria se o pneu rebentasse, se chegaria ao Porto… mas não. Passámos Braga, Famalicão, Santo Tirso e, de cada vez que olhava pelo espelho, constatava que o Rui ainda rolava. Devagar, mas rolava.

Quando passámos a portagem da Maia, foi o descarregar. O pneu tinha aguentado e estava em casa.

O que faltou na viagem? Nada. Tivemos de tudo. Frio, chuva, calor e sol. Foi muito bom entrar mais dentro dos Picos da Europa. Gostava de ter ficado mais dias e de ter melhor tempo, para poder mergulhar nos lagos, ou descobrir mais lugarejos no interior. Ficará para a próxima.

26.6.15

Repicos: o regresso aos Picos da Europa. pt_5

13 de junho
Riaño - Ponferrada
Dia de saída dos Picos. O dia que marcava o início do regresso a casa... 

Fotos de Rui Oliveira

Íamos acabar o dia em Ponferrada. Eu tinha feito um percurso em que sabia que teríamos curvas, mas nada nos preparava para a paisagem. 

Sair de Riaño foi fabuloso. Um conjunto de curvas rápidas que nos levaram até à descida da barragem. Depois vieram as retas. Durante uma hora seguimos a 100 km/h, com temperaturas a rondar os dez, doze graus. Eram 11 horas quando parámos para um café para esticar as pernas. Depois seguimos por mais umas retas. Eu achava estranho estar na estrada para Oviedo, que é para norte... até que o GPS manda virar à esquerda... E começaram as curvas. 

O tempo tinha aquecido e rolávamos com 13 graus. Curvas rápidas, no meio de encostas gigantes. Parecia que a estrada tinha sido cavada ali. Até que surge uma subida... 4/5 km em curva e contracurva, com cotovelos... uma loucura e sempre com uma vista bastante agradável e um vale a acompanhar-nos. 
No final da subida havia uma lomba. E do outro lado o sorriso surge na nossa cara. Em fundo via-se uma pequena aldeia e, de vez em quando, a estrada que saía da encosta, só com curvas... o paraíso para quem anda de moto! 

O Rui passou  para a frente. Eu deixei de o ver. E continuei na minha, a curtir cada curva... maravilhoso. 
Até que o Rui está parado num desvio. Perguntou-me se queria ir por ali. "Vamos", respondi. Subimos por uma estrada em mau estado, que tinha um pequeno túnel no cimo. Do outro lado o céu... era o Valle de Abras. Uma aldeia no meio de montanhas, com um lago (?) gigante à frente. Se a paisagem anterior era boa… esta era inesquecível. Parámos para fotos e apreciar o silêncio.

A vista do Barranco de Aronga, onde fica o Valle de Abras.

Continuámos a descer até ao almoço, cerca de 20 km à frente. Dos cotovelos, a estrada alongou-se em muitas curvas rápidas, passando por baixo da AP-6, a autoestrada que leva a Oviedo. Seguimos um grupo de 4 ou 5 espanhóis. E que bem sabia ver as motos à frente a deitarem-se nas curvas.

Depois de almoço começámos a entrar na zona mineira. Faltavam 80 km e todos os sítios por onde passávamos eram escuros, abandonados, feios. Tinham vivido das minas e, com o fecho de grande parte delas devido à crise, as cidades em volta foram definhando.

A acompanhar a linha férrea, perto de Ponferrada.

Decidimos entrar num desses lugares e fomos dar àquele que seria o ponto de encontro, caso a sirene tocasse (talvez por causa das minas, não sei). O curioso deste sítio era o tronco de árvore esculpido que estava à nossa frente, com motivos agrícolas.

Um ponto de encontro, no caso da sirene tocar (talvez por causa das minas, não sei). 

Chegámos pouco depois a Ponferrada. A ideia era fazer check-in e descobrir a cidade. Como o hotel era longe do centro, fomos de moto. Estava um tempo aceitável. Mal entramos no centro, uma chuvada. Parámos as motos num passeio e entrámos num tasco para uma caña. "Tenham cuidado que moto no passeio dá 200€ de multa". Bebemos, esperámos que a chuva passasse. Pegámos nas motos para trocar de sítio, porque eu estava a stressar. Eu vejo indicações para o casco antigo. Ora, sabendo que em Espanha é uma zona agitada, seguimos até lá.

Parámos as motos eram cerca das 18 horas. Sentámo-nos numa esplanada a curtir o sol, beber umas cañas e comer umas bravas, que insistiam em vir com a cerveja. Três cañas depois decidimos dar uma volta. E vimos um sítio com muita gente... Entrámos e pedimos mais duas. Foram acompanhadas por dois mini hamburgueres bem deliciosos. E decidimos dar mais uma volta. O Rui sugeriu entrarmos numa rua. "Aqui vai ser fixe, vais ver". E foi. Mais duas cañas, uns embutidos maravilhosos a acompanhar. Muita conversa, algumas cañas e embutidos serviram de combustível para voltar à realidade. Decidimos que seria melhor irmos dormir, já que teríamos muitos quilómetros pela frente no dia seguinte. Escusado será dizer que esta parte velha estava cheia de gente, com aquele burburinho normal de rua espanhola.




A ver: o Barranco de Aronga. A vista é mesmo bonita. Entrar nas pequenas aldeias junto ao rio Sil (antigas moradas de muitos mineiros). Em Ponferrada vale a pena visitar o Casco Antigo.
Comer: Ponferrada. Não comemos. Fomos comendo. Como é tradição em muitos sítios em Espanha, por cada bebida é oferecida uma tapa. E foi assim que jantámos.