Depois de 3200 km de viagem, fica aqui um pequeno resumo do que foi a viagem, enquanto não tenho tempo para escrever a sério sobre estes 15 dias na estrada.
16.9.15
14.8.15
A propósito de um desafio
Foi lançado no Club F800GS Portugal que escrevêssemos um texto sobre a nossa moto, as viagens que fazemos, etc. Este foi o meu
"A "Idalina" (F650GS twin) é a minha segunda moto "grande". Surgiu para preencher o lugar da "Josefa" (F650 monocilíndrica, de 97), a moto que desejei durante muitos anos até a conseguir comprar.
A Idalina mostrou ser uma companheira fiável, poupada (não é daquelas que bebe muito quando saímos) e confortável quanto baste. É daquelas que, quando vamos às compras, não gasta muito, tanto em sapatos como em roupa nova, o que é muito bom. Leva-me sempre onde quero. Durante a semana de casa até ao trabalho e vice-versa. Ao fim de semana, costumamos sair para descobrir estradas nacionais em Portugal. É que ela gosta mesmo de passear neste país. Diz que é melhor que o frio da Alemanha (embora os automobilistas sejam piores). Não se acanha em nenhum tipo de estrada. Tanto vai pelas alcatroadas, com pavimento liso, como pelas outras, as que são em paralelos ou têm buracos. E eu vou com ela, claro. Não somos muito de ir "até ao monte". Ela fica nervosa com caminhos pouco próprios, como é normal numa senhora. Por isso, preferimos mesmo as estradas, com boas paisagens, boa comida e boa companhia. Todos os anos saímos para uma "volta grande", altura em que ela aproveita para conhecer mais sítios, ouvir sotaques diferentes do nosso. Ainda não fomos até "muito longe", mas ela defende que, de ano para ano, vemos cada vez mais coisas diferentes. Ah! E adora curvar (cá para nós, as curvas - as da estrada e as dela- ficam-lhe mesmo bem). Tenciono ficar com ela muito tempo. Mesmo que ela comece a sofrer das primeiras artrites. Afinal de contas, é o mínimo que posso fazer por ela, que tantas alegrias me traz."
"A "Idalina" (F650GS twin) é a minha segunda moto "grande". Surgiu para preencher o lugar da "Josefa" (F650 monocilíndrica, de 97), a moto que desejei durante muitos anos até a conseguir comprar.
A Idalina mostrou ser uma companheira fiável, poupada (não é daquelas que bebe muito quando saímos) e confortável quanto baste. É daquelas que, quando vamos às compras, não gasta muito, tanto em sapatos como em roupa nova, o que é muito bom. Leva-me sempre onde quero. Durante a semana de casa até ao trabalho e vice-versa. Ao fim de semana, costumamos sair para descobrir estradas nacionais em Portugal. É que ela gosta mesmo de passear neste país. Diz que é melhor que o frio da Alemanha (embora os automobilistas sejam piores). Não se acanha em nenhum tipo de estrada. Tanto vai pelas alcatroadas, com pavimento liso, como pelas outras, as que são em paralelos ou têm buracos. E eu vou com ela, claro. Não somos muito de ir "até ao monte". Ela fica nervosa com caminhos pouco próprios, como é normal numa senhora. Por isso, preferimos mesmo as estradas, com boas paisagens, boa comida e boa companhia. Todos os anos saímos para uma "volta grande", altura em que ela aproveita para conhecer mais sítios, ouvir sotaques diferentes do nosso. Ainda não fomos até "muito longe", mas ela defende que, de ano para ano, vemos cada vez mais coisas diferentes. Ah! E adora curvar (cá para nós, as curvas - as da estrada e as dela- ficam-lhe mesmo bem). Tenciono ficar com ela muito tempo. Mesmo que ela comece a sofrer das primeiras artrites. Afinal de contas, é o mínimo que posso fazer por ela, que tantas alegrias me traz."
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7.8.15
A próxima viagem está cada vez mais perto.
Chega agosto e muita gente começa a gozar as suas férias. Vão para a praia, para o campo ou conhecer uma nova cidade. Enquanto isso, vou ficando por aqui, a planear a próxima viagem. Sim, estou a planear uma saída "grande". Serão 15 dias (+-) de viagem: com saída de Portugal, atravessar Espanha até Barcelona. Depois Pirinéus, Carcassonne, Toulouse, Rennes, Mont-Saint-Michél e Nantes. Cerca de 3.600 km, feitos com pendura e mais uma moto.
Desta vez queria ir mais "à aventura". Levar talvez uma tenda e saco cama. Mas optámos por não fazer isso, já que o pai da minha pendura merece descansar. Percorri o booking e algumas cadeias de hotéis francesas, para arranjar quartos mais baratos (e com alguma qualidade).
Mas antes disso, vai haver uma volta interessante (não muito longa) para fotografar e escrever, organizada pelo Moto Clube do Porto.
29.6.15
Repicos: o regresso aos Picos da Europa. pt_6
14 de junho
Ponferrada - Porto
O dia que ninguém queria.
Fotos de Rui Oliveira
O último dia. Fico sempre stressado com o dia de regresso porque sei que vai acabar a diversão diária, porque vou voltar à rotina, porque queria continuar a descobrir sítios e gritar "WOW" a plenos pulmões dentro do capacete.
Apesar de ser o dia de regresso a casa, queríamos fazer uma última visita turística. Fomos às Médulas, que se revelaram um sítio que impressiona ao olhar. Terra vermelha, em altura e um verde a rodear o vermelho. Muito bonito.
As Médulas, segundo li, eram uma exploração mineira do tempo dos romanos, que utilizavam a água para desbastar a montanha, e chegar ao ouro.
Como tínhamos pouco tempo, subimos ao miradouro, para apreciar as Médulas de cima e tirar umas fotos. A esta altura ainda estávamos convencidos que íamos almoçar uma posta em Ponte da Barca.
Uma panorâmica das Médulas.
O caminho das Médulas até Ourense foi corrido. Corrido porque pouco parámos, corrido porque a chuva "obrigáva-nos" a seguir sempre caminho, numa tentativa frustrada de fugir dela. Primeiro caiu forte, depois foi parando, mas esteve sempre connosco até à entrada de Ourense. Decidimos que íamos almoçar aqui, até porque já eram 14 horas. Comemos um bocadillo, atualizámos as fotos.
E o céu transforma-se. Escuro, a prometer chuva forte. Ainda faltavam uns quilómetros até chegar a Portugal (não sei porquê, mas achámos que passar a fronteira seria sinónimo de casa, de conforto e de sol). Foi mais ou menos a essa hora que olhámos a fundo para o pneu da moto do Rui… já tinha dado sinais de entrar nas lonas a caminho das Médulas. Mas em Ourense começámos a duvidar (mais eu) da possibilidade de ele conseguir chegar a Portugal.
O pneu da moto do Rui, a saída de Ponferrada.
Saímos de Ourense e seguimos a nacional, com umas curvas bem interessantes, que nos iam levar até Portugal. Chovia. Em alguns pontos chovia muito e estava frio.
A 40 km da fronteira, mais um tyre alert. Aquilo estava a ficar mesmo mau. Ao ponto de a primeira lona já estar a dar de si. Lembro-me perfeitamente de ver o Rui a tirar bocados da lona. “Medo”, pensei eu.
Conseguimos chegar à fronteira de Portugal. Saltámos, celebrámos. O pneu estava em casa! E como o tempo tinha melhorado, estávamos mais animados.
Dali foi seguir as curvinhas até Ponte da Barca. Eu a divertir-me, a deitar a moto nas curvas. O Rui nem tanto. Seguia atrás de mim, a segurar a moto, que fugia a cada curva.
Portugal! Repare-se no pneu da Hornet.
Optámos por seguir a autoestrada até ao Porto, em vez da Nacional até Braga. Confesso que foi a altura da viagem em que rolei com mais tensão. Pensava o que aconteceria se o pneu rebentasse, se chegaria ao Porto… mas não. Passámos Braga, Famalicão, Santo Tirso e, de cada vez que olhava pelo espelho, constatava que o Rui ainda rolava. Devagar, mas rolava.
Quando passámos a portagem da Maia, foi o descarregar. O pneu tinha aguentado e estava em casa.
O que faltou na viagem? Nada. Tivemos de tudo. Frio, chuva, calor e sol. Foi muito bom entrar mais dentro dos Picos da Europa. Gostava de ter ficado mais dias e de ter melhor tempo, para poder mergulhar nos lagos, ou descobrir mais lugarejos no interior. Ficará para a próxima.
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26.6.15
Repicos: o regresso aos Picos da Europa. pt_5
13 de junho
Riaño - Ponferrada
Dia de saída dos Picos. O dia que marcava o início do regresso a casa...
Fotos de Rui Oliveira
Íamos acabar o dia em Ponferrada. Eu tinha feito um percurso em que sabia que teríamos curvas, mas nada nos preparava para a paisagem.
Sair de Riaño foi fabuloso. Um conjunto de curvas rápidas que nos levaram até à descida da barragem. Depois vieram as retas. Durante uma hora seguimos a 100 km/h, com temperaturas a rondar os dez, doze graus. Eram 11 horas quando parámos para um café para esticar as pernas. Depois seguimos por mais umas retas. Eu achava estranho estar na estrada para Oviedo, que é para norte... até que o GPS manda virar à esquerda... E começaram as curvas.
O tempo tinha aquecido e rolávamos com 13 graus. Curvas rápidas, no meio de encostas gigantes. Parecia que a estrada tinha sido cavada ali. Até que surge uma subida... 4/5 km em curva e contracurva, com cotovelos... uma loucura e sempre com uma vista bastante agradável e um vale a acompanhar-nos.
No final da subida havia uma lomba. E do outro lado o sorriso surge na nossa cara. Em fundo via-se uma pequena aldeia e, de vez em quando, a estrada que saía da encosta, só com curvas... o paraíso para quem anda de moto!
O Rui passou para a frente. Eu deixei de o ver. E continuei na minha, a curtir cada curva... maravilhoso.
Até que o Rui está parado num desvio. Perguntou-me se queria ir por ali. "Vamos", respondi. Subimos por uma estrada em mau estado, que tinha um pequeno túnel no cimo. Do outro lado o céu... era o Valle de Abras. Uma aldeia no meio de montanhas, com um lago (?) gigante à frente. Se a paisagem anterior era boa… esta era inesquecível. Parámos para fotos e apreciar o silêncio.
Continuámos a descer até ao almoço, cerca de 20 km à frente. Dos cotovelos, a estrada alongou-se em muitas curvas rápidas, passando por baixo da AP-6, a autoestrada que leva a Oviedo. Seguimos um grupo de 4 ou 5 espanhóis. E que bem sabia ver as motos à frente a deitarem-se nas curvas.
Depois de almoço começámos a entrar na zona mineira. Faltavam 80 km e todos os sítios por onde passávamos eram escuros, abandonados, feios. Tinham vivido das minas e, com o fecho de grande parte delas devido à crise, as cidades em volta foram definhando.
A acompanhar a linha férrea, perto de Ponferrada.
Decidimos entrar num desses lugares e fomos dar àquele que seria o ponto de encontro, caso a sirene tocasse (talvez por causa das minas, não sei). O curioso deste sítio era o tronco de árvore esculpido que estava à nossa frente, com motivos agrícolas.
Um ponto de encontro, no caso da sirene tocar (talvez por causa das minas, não sei).
Chegámos pouco depois a Ponferrada. A ideia era fazer check-in e descobrir a cidade. Como o hotel era longe do centro, fomos de moto. Estava um tempo aceitável. Mal entramos no centro, uma chuvada. Parámos as motos num passeio e entrámos num tasco para uma caña. "Tenham cuidado que moto no passeio dá 200€ de multa". Bebemos, esperámos que a chuva passasse. Pegámos nas motos para trocar de sítio, porque eu estava a stressar. Eu vejo indicações para o casco antigo. Ora, sabendo que em Espanha é uma zona agitada, seguimos até lá.
Parámos as motos eram cerca das 18 horas. Sentámo-nos numa esplanada a curtir o sol, beber umas cañas e comer umas bravas, que insistiam em vir com a cerveja. Três cañas depois decidimos dar uma volta. E vimos um sítio com muita gente... Entrámos e pedimos mais duas. Foram acompanhadas por dois mini hamburgueres bem deliciosos. E decidimos dar mais uma volta. O Rui sugeriu entrarmos numa rua. "Aqui vai ser fixe, vais ver". E foi. Mais duas cañas, uns embutidos maravilhosos a acompanhar. Muita conversa, algumas cañas e embutidos serviram de combustível para voltar à realidade. Decidimos que seria melhor irmos dormir, já que teríamos muitos quilómetros pela frente no dia seguinte. Escusado será dizer que esta parte velha estava cheia de gente, com aquele burburinho normal de rua espanhola.
A ver: o Barranco de Aronga. A vista é mesmo bonita. Entrar nas pequenas aldeias junto ao rio Sil (antigas moradas de muitos mineiros). Em Ponferrada vale a pena visitar o Casco Antigo.
Comer: Ponferrada. Não comemos. Fomos comendo. Como é tradição em muitos sítios em Espanha, por cada bebida é oferecida uma tapa. E foi assim que jantámos.
Comer: Ponferrada. Não comemos. Fomos comendo. Como é tradição em muitos sítios em Espanha, por cada bebida é oferecida uma tapa. E foi assim que jantámos.
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25.6.15
Repicos: o regresso aos Picos da Europa. pt_4
12 de junho
Cangas - Riaño
O dia em que voltaríamos à estrada do Cervo, a montanha russa de curvas e contracurvas.
Fotos de Rui Oliveira
A primeira paragem do dia seria em Potes, o ponto a partir do qual se poderia ir a Fuente Dé. Logo no início da viagem (e sabendo o nevoeiro que estava) decidimos passar Fuente Dé. Não daria para subir o teleférico e ia tirar-nos tempo para descobrir outras aldeias que estavam previstas.
A chuva fez das dela. Tínhamos feito cerca de 30 km quando ela decidiu aparecer. Parámos, vestimos os impermeáveis e seguimos a estrada. Ao contrário do ano passado, fomos mais devagar. Estávamos a curtir as curvas, mas a fazê-las com mais calma. Em Liebana parámos para almoçar. O Rui embarcou (outra vez) no costume local dos dois pratos. Eu optei por não o fazer, por causa do sono com que fico.
Algures entre Cangas de Onís e Potes. A estrada desce em curva e contracurva. Uma delícia para que anda de moto.
E durante esta pausa a chuva parou. Ainda bem, pensámos. E siga para a estrada do Cervo. Sem chuva e com o piso seco, a diversão apoderou-se de nós. Depois de Potes, o Rui passou para a frente (a moto dele ia menos pesada e - claro está - ele curva bem melhor que eu) e começámos a rotina de "deita a moto para um lado e para o outro" até ao Cervo. Foi maravilhoso: as curvas, a paisagem com nevoeiro que deixa o verde revelar-se.
Três frames mesmo antes da estrada do Cervo e de todas as curvas.
Os saltos e a sessão fotográfica foram uma forma de aliviarmos a ansiedade.
Estive em dúvida entre trocar a GS pelo cervo. Mas ele olhou para a GS e disse que ia melhor montado nela.
A paragem seguinte seria em Posada de Valdeón. Mas antes saímos do trajeto por uma estrada estreita. Até darmos de frente com a escultura do urso (uma homenagem ao urso ibérico). A paisagem deste ponto é (mais uma vez) incrível. A 360º veem-se pequenas aldeias distantes, neve, os picos que se erguem, imponentes.
Uma questão de escala.
A vista desde a estátua do Urso.
Poses feitas mesmo perto da estátua do Urso (não, não é o de óculos escuros).
Metemos conversa com um grupo de ingleses. Já tinham feito 1800 km - nós íamos nos 700 e tal ou 800 e tinham mais dois dias nos Picos. Já se lamentavam pela falta de tempo, mas os olhos deles brilhavam quando falavam na paisagem, na estrada e na comida.
Tiraram-nos uma das poucas fotos em que aparece toda a “comitiva (eu, Rui e motos) com a paisagem que descrevi em fundo. O destino seguinte era Posada de Valdeón. A estrada era mais avermelhada e em menos bom estado. Mas, como estava seca, continuámos a dança das curvas.
Mais uma prova de bons autocolantes.
Chegados a Posada, vimos a indicação para Caín. Era mesmo isso. Fomos atrás de um grupo, que "ia abrindo a estrada" estreita e carregada de curvas até Caín. O sítio é muito engraçado. Pequeno, com muita água (outra vez cristalina) a correr e rodeada de picos. Uma espécie de enclave no meio de tanta rocha cinzenta.
Comemos qualquer coisa e descansámos um pouco. E conversámos com aquele grupo - eram do Porto - que ainda ia para Gijón naquele dia (notava-se o cansaço na cara deles). Demos alguns conselhos sobre como seguirem rapidamente para o destino, já que as penduras eram quem mais estava a sofrer.
Este encontro acaba por ser engraçado por outra razão. O pai do Rui conhece uma das pessoas do grupo. Melhor ainda, essa pessoa viu o Rui crescer. E a forma como eles se aperceberam disto foi ainda mais engraçada. Por acaso, o pai do Rui ligou ao “engenheiro” para perguntar como estava. “Estou bem. Cheguei ontem dos Picos da Europa e estou um pouco cansado”. “Que engraçado, o meu filho esteve lá, também”. “Ai sim? Nós conhecemos dois rapazes do Porto, que até nos ajudaram lá num problema de percurso. Que moto tem o teu filho?”. “Tem uma Hornet”. “A sério? Aquele rapaz era o Rui?”. E pronto. Percebemos mais uma vez que este mundo é minúsculo.
Queríamos fazer a estrada de regresso a Posada de Valdeón. O Rui foi à frente, a abrir caminho. Uma estrada que passava no meio de muitas árvores, retorcida, daquelas estradas que faziam abrir um sorriso.
Com a Posada de Valdeón em fundo, depois de já termos ido a Caín.
Depois de Posada de Valdeón, onde temos algumas fotos incríveis, foi seguir a estrada de montanha, com curvas rápidas e bom piso. E descemos à estrada que liga Riaño e Cangas, e que passa junto ao embalse de Riaño. 20 km de curvas até ao nosso último hotel nos Picos, em Riaño.
A chegada a Riaño. O fim do Repicos.
Chegados a Riaño, demos conta que havia uma espécie de "concentração" de BMW Z3 e Z4. Como eu tinha uma BMW, estacionei mesmo junto ao local reservado para os meninos dos carros da BMW.
Riaño tem um problema: o excesso de falta de restaurantes. Tínhamos o do hotel, mas eu tinha lido que era caro e não era grande coisa…. sendo assim, acabámos por comer um hamburguer num café bem pequeno. Depois disso resolvemos descansar, porque tínhamos visto muita coisa fantástica e precisávamos (eu precisava) de organizar as ideias.
A ver: Os pontos assinalados no mapa. Falta acrescentar Fuente Dé e o seu miradouro, acessível por teleférico. Não visitámos devido ao nevoeiro - seria impossível subir até ao miradouro.
Comer: Em Riaño não há muita escolha. E a que existe é cara. Optámos por um hamburguer junto à bomba de gasolina, que também tem uma das melhores torradas que já comi.
Dormir: Riaño tem poucos sítios onde dormir. Ficámos no sítio mais barato (25 pp/noite).
Recomenda-se o parque de campismo, que tem bungalows.
Comer: Em Riaño não há muita escolha. E a que existe é cara. Optámos por um hamburguer junto à bomba de gasolina, que também tem uma das melhores torradas que já comi.
Dormir: Riaño tem poucos sítios onde dormir. Ficámos no sítio mais barato (25 pp/noite).
Recomenda-se o parque de campismo, que tem bungalows.
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23.6.15
Repicos: o regresso aos Picos da Europa. pt_3
11 de junho
Cangas-Cangas
O dia com menos quilómetros, mas com muitas vistas.
Deixámo-nos dormir. Estávamos cansados dos quilómetros do dia anterior, da chuva e do problema na navegação, que nos obrigou a seguir a autoestrada. Decidimos dar-nos "ao luxo" de ficar mais um bocado a descansar, até porque o percurso para este dia não era longo.
Eu acordei mais cedo. Saí do hotel para ver um bocado das ruas, perceber como era Cangas de Onís. Comprei o pequeno almoço, para aproveitarmos o 6º andar e a varanda que nos calhou em sorte.
A preparação para o pequeno almoço e a vista sobre Cangas de Onís.
Os cacetes espanhóis não são maiores que os portugueses.
Saímos de Cangas de Onís, para redescobrir os lagos de Covadonga. Antes parámos frente à catedral, para tentar perceber se havia limitações na subida, já que o nevoeiro era intenso. Encontrámos um grupo de 3 portugueses (primeira vez nos Picos). Demos alguns conselhos, ouvimos a história deles sobre as chuvadas que já tinham apanhado, e regozijámo-nos com a “secura” do nosso caminho. Como era hora de almoçar, descemos até à entrada de Covadonga para encontrar um sítio para comer o presunto, o queijo e o pão que tínhamos comprado.
Mesmo antes de subir até Covadonga. O sítio onde almoçámos esta mesmo ali ao lado.
Depois fomos até aos lagos. A subida, já de si difícil devido à inclinação e curvas, tornou-se num desafio. O nevoeiro não deixava ver mais de 5/6 metros à frente da moto. Não conseguíamos apreciar a paisagem (que eu sei que é maravilhosa) que nos rodeava. À saída de uma das curvas, um grupo de vacas pastava e passeava-se pela estrada, vagarosamente.
Subida para o lago Ercina, os animais que por lá habitam e o nevoeiro no caminho.
Seguimos até ao lago Enol. Não se via água. Nenhuma. Nem a paisagem que rodeia o lago. Perguntei ao Rui se valeria a pena continuar até ao Ercina. "Sim", disse ele sem tirar o capacete. E lá fomos. 3 quilómetros de estrada estreita, em mau estado, até ao lago. Parámos as motos e o nevoeiro mantinha-se. Decidimos sentar-nos um pouco e fumar um cigarro. E eis que acontece algo que só o "Senhor do Tempo" (o cognome do Rui nesta viagem) conseguiria adivinhar: o nevoeiro levanta, o sol vê-se, a paisagem revela-se. E assim tivemos 10 minutos de sol, calor e de paisagem, com os picos em fundo, ainda com neve.
Mágico.
O lago Ercina, depois do nevoeiro levantar.
Pose das motos para a fotografia, com o Santuário de Covadonga em fundo.
A minha moto é mesmo linda!
O ponto seguinte era Bulnes e Sotres. Até Bulnes ainda choveu um pouco, mas nada que nos fizesse vestir os impermeáveis. Em Bulnes já não chovia. A registar deste sítio: a água cristalina que circundava as rochas e a enorme queda de água.
E subimos mais, com o objetivo de chegar a Sotres. Mas o nevoeiro era ainda mais denso do que aquele que tínhamos enfrentado nos lagos. Por isso, decidimos parar a meio, ouvir o silêncio, fumar um cigarro. E voltamos a descer até Bulnes para uma melfies (selfies às motos). Podíamos ter feito os percursos pedestres que existem. Mas as botas de andar de moto não são o calçado apropriado.
Mais poses das meninas. Junto a uma queda de água e a um túnel, como convém.
Depois voltamos para Cangas. O cansaço do dia anterior ainda estava presente. Como ainda era relativamente cedo, andámos às voltas na cidade. Ainda revimos um grupo de Lisboa que encontrámos nos lagos, entrámos nas lojas de souvenirs. Ao fim e ao cabo, esticámos as pernas e ganhámos fome para o jantar.
Como no dia anterior tínhamos comido bastante bem no Polesu, achámos por bem repetir. E se decidimos rápido, rapidamente entrámos lá. Nem vale a pena referir o menu. Foi tão bom como no dia anterior.
A ver: tudo o que está no texto. Como o tempo não era o melhor, não deu para visitar Sotres. Mas tudo o resto vale a pena.
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