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17.6.14

Vamos aos Picos da Europa e voltamos já (2/5)

Dia 02: Lago Sanabria - Riaño - Boca de Huérgano
Saímos do Parque, já com o pequeno almoço tomado, por volta das 11:30. O objetivo era passar no Lago Sanabria, em direção a Boca de Huérgano.
Furámos o Parque do Montesinho pela N-103-7, num desenrolar de curvas bem engraçado. Chegámos a passar por França. Sim, que nós gostamos de ir pelo sítio mais longe para chegar aonde queremos.
Em Puebla de Sanabria resolvemos dar uma volta a pé pela localidade e tirar umas fotos. Enquanto isso, o Gonçalo e o Rui iam contando algumas histórias da zona onde vivem (Rio Mau).

Resolvemos que íamos comer alguma coisa por ali. Fomos ao tasco que pareceu ter mais gente e pedimos um desenrolar de tapas. Depois de comermos, e enquanto fumávamos o nosso cigarro, três portugueses estavam a sair do restaurante. Metemos conversa.
"- Para onde vão?"
"- Ainda não sabemos muito bem. Temos umas ideias de onde queremos ir, mas não é nada certo".
"- E fazem sempre isso?"
"- Sim, desde há 20 anos que saímos de casa, metemo-nos nas motos e vamos andando com as coisas mais ou menos planeadas. Mas agora vamos para aquele lado, que parece que está sol".
E ficámos malucos. Aqueles três homens, todos eles com bastante mais de 50 anos, tinham o verdadeiro espírito de aventura. Uma grande lição, sim senhor.

Lago Sanabria era o ponto seguinte. Lá fomos nós, a curtir umas curvas, sempre com o rio como companhia. Bem bonito. Chegámos ao Lago, apreciamos um bocado a vista. A temperatura estava pouco convidativa a banhos. E como o sol era fraco, também não dava para fazer praia. Acho que só pensávamos em aproximarmo-nos dos Picos da Europa. E como era isso que queríamos, assim o fizemos.
Seguimos caminho sem tirar do saco os calções de banho, transportados a pensar na água cristalina de Sanabria.

Na autoestrada não foi a chuva, mas o vento a "abençoar-nos" o caminho.
Parámos numa estação de serviço que, naquela altura, assistia a uma concentração de asiáticos (coreanos?). Dançavam, cantavam e houve um deles que parecia interessado na minha moto. Ao ponto de eu pensar que ele se ia sentar nela e arrancar. Durante as danças que se faziam, alguém exclamou "Bem, com 50 e aquela elasticidade, sim senhora..."

E continuámos. Saímos da autoestrada e as nacionais eram, finalmente, o trajeto. Para não termos surpresas desagradáveis reduzíamos sempre para os 50 km/h nas localidades. Logo a seguir, subíamos para velocidades mais engraçadas. E foi em Cistierna que começámos a sentir que esta era "a viagem". As escarpas começavam a fazer parte da paisagem, bem como as curvas. Passámos por uma barragem, que ativou o "modo Picos". Sim, eram curvas de montanha, com uma paisagem incrível, aqueles ferros que nos dizem que há neve no inverno, por aquelas paragens. E continuámos. Tenho a certeza que todos nós levavam um sorriso de orelha a orelha (não sei se a Inês levava o mesmo sorriso, confesso. Até porque estava adoentada e, convenhamos, era o Rui a levar a moto).
A certa altura parei. Estava eu e o Gonçalo... mas e o Rui e a Inês?

Era uma reta depois daquelas curvas maravilhosas. Acendemos um cigarro, esperámos, esperámos... o Gonçalo tenta ligar para o Rui, sem sucesso. Esperámos mais um pouco. E é num silêncio ensurdecedor que ouvimos aquilo que poderia ser um fórmula um: acelerações, trocas de caixa, mais acelerações, rotação "lá em cima". E vemos a moto do Rui a descer, até nós. Vinha depressa. E mesmo à nossa frente para a moto em slide e com o pneu de trás aos saltos, a tentar agarrar-se ao alcatrão: ta-ta-ta-ta-ta… sempre com estilo, claro! “Ficamos a saber que a Hornet tem ABS”, disse o Jorge. E soubemos depois que a Inês sabia gritar muito alto quando andava de moto. Mas nós não ouvimos nada.

Continuámos até Riaño. No caminho ultrapassámos umas vinte vespas. Era um Grupo de Vila do Conde que ia a Itália, à concentração mundial de Vespas. A chegada a Riaño fez-me lembrar a viagem do ano passado quando, em pleno Alentejo passámos uma ponte enorme sobre a Albufeira do Alqueva. E continuámos em curva e contracurva até Boca de Huérgano.

Foi um ótimo dia. Depois daquelas retas e da velocidade da autoestrada recebemos aquele "rebuçado" de muitas curvas, de montes de motos a passar por nós, das fotos em cima de um fardo de palha, junto à estrada. Era mágico.

Como não queríamos pegar nas motos, tapeámos pelo hotel. Houve uma besta (eu) que pediu sidra. Um olhar mortífero e uma resposta seca fez com que me apercebesse que não era aquele o sítio dela. Para ajudar à festa outra pessoa pediu pimentos de Padrón. Recebeu a mesma resposta que eu.

Umas cervejas depois estávamos a jogar uma espécie de jogo de copas, com regras de UNO, pesca e sueca. E enquanto o Jorge e o Rui discutiam as regras, a Inês assoava o nariz compulsivamente e tomava mais umas drogas contra a constipação que tinha trazido de casa (as mulheres trazem sempre coisas a mais, todos sabemos).

Vamos aos Picos da Europa e voltamos já (1/5)

A verdade é que já estava à espera desta viagem há algum tempo. A verdade é que queria ter mais tempo para "entrar em mais sítios" dos Picos da Europa. A verdade é que gostaria de repetir esta viagem. De preferência com pendura.




Dia 01: Porto - Bragança
17:30. Foi a hora que marcámos para o encontro. Seria frente ao Bar Praça (na Praça Filipa de Lencastre). Cheguei 5 minutos mais cedo. Estava ansioso. Desde as 10 da manhã. Queria pôr-me na moto e rolar e ver paisagens, curtir curvas, comer, "curtir" com as pessoas que ia rolar comigo: o Gonçalo (Jorge), o Rui e a Carla (Inês).
17:30. Pedi um fino e acendi um cigarro. Estava sozinho. 10 minutos depois chega o Gonçalo. Pediu um fino. Fomos bebendo, contando histórias, antevendo (mais ou menos) o que estaria para vir.
"- O Rui? Não será melhor ligar?"
"- Ele diz que chega daqui a 10 minutos"
"- Sendo assim, é melhor pedirmos o segundo fino"
"- Gonçalo, não bebo mais, pá. Quero estar seguro na estrada e tal."
Continuámos a falar. Acabei por pedir outro fino. A meio do fino chega o Rui.
"- Pessoal, estou com fome, vamos comer qualquer coisa"
Siga! Tasca da "Badalhoca" na Rua da Picaria. Sandes de rojão e uma cerveja. Cigarro, piadas, e afirmações absolutas.
"- Estou ansioso por esta viagem, vai ser épica!".

Motos, Autoestrada. Caminho sem história. Marão (IP4). Gonçalo à frente, a cortar nevoeiro com uma destreza e velocidade que me deixaram de boca aberta. A esta altura já os fatos de chuva estavam vestidos. Parámos mais à frente. Cigarro e "Será que vai chover?". Seguimos. Começou a chover. Muito, demais. Pequena paragem "Pá, estou com pouca gasolina". Siga para um posto de abastecimento. Chegada a Bragança às 22:30. Abastecimento. Idalina bate recordes.

"Bem, temos de arranjar um restaurante". Chegámos a um, que estava quase a fechar. Comemos 4 postas e bebemos duas garrafas de vinho. O Gonçalo negoceia uma para levarmos mais uma para o bungalow e mete conversa com o dono do restaurante sobre as consequências da política centralista do governo, da interioridade, emigração, regionalização... conversa de circunstância: para um comuna.
Saímos quando o Rui assim o permitiu - após a obrigatória sobremesa. Tinha parado de chover. "Fixe", pensámos nós. No caminho para o Parque de Campismo, alguém se lembrou de voltar a abrir a torneira lá no céu. E molhámo-nos. Muito. Mas o que interessa é o Rui comeu a sua mousse de chocolate!

No Parque de Campismo valeu a disponibilidade do rapaz que lá estava. Deixou-nos entrar com as motos, por um caminho de terra batida, até ao bungalow. Como havia aquecedores, as botas e luvas foram todas para junto dele para secar.
Ficámos na conversa até às 4 da manhã, enquanto íamos vendo o jogo de Portugal. Sem o sabermos - porque a noite estava escura como breu - um motard (holandês?) dormia ali ao lado, na sua tenda de campismo.



23.5.14

Parece que é desta (Picos da Europa preview)

E mais uma viagem. Finalmente a (não) viagem do ano passado. (mais aqui)

Decidimos fazer o planeamento mais em cima do acontecimento. Cerca de dois meses antes. Sabia que o Rui estava ansioso por fazer a viagem. Tanto que, mesmo depois de ser operado, queria participar no MOTOS AO CENTRO (é verdade, não escrevi sobre isso), só para podermos falar da ida aos Picos da Europa.

Seja como for, as reservas de hotel foram feitas, o percurso foi traçado em cima de uma viagem (documentada) de alguém que já tinha ido aos Picos da Europa. Era completo, bastante completo, até. Tão completo que sugeria sítios a percorrer a pé, coisa que, parece-me, não vamos fazer. Outra coisa interessante referida: a falta de postos de abastecimento. Uma coisa que temos de ter em atenção durante o caminho.

Bem, sabíamos que poderiam ser 6 as motos a alinhar. Mas sabíamos também que não deveria ser bem assim. Na altura em que as reservas foram feitas estavam alinhadas duas motos. Logo se juntou mais uma pessoa a nós. Um amigo do Rui, o Gonçalo, que assim passou a fazer parte do nosso grupo restrito, fechado e secreto no Facebook, onde só se entra depois de uma prova de fogo.

Ou seja, estamos 3 motos (F650GS, Hornet e uma GS500) e quatro pessoas. Sim, o Rui vai levar pendura (tiro-lhe o meu chapéu).

E assim ficamos a duas semanas de arranque. Está na altura de preparar a minha moto. Ainda falta montar os suportes, as malas... está quase! :D